O que aprendi carregando tijolos

Tarefas repetitivas e monótonas, muitas vezes libertam a mente e a imaginação, nos permitindo pensar sobre outros assuntos enquanto o corpo, meio que em piloto automático, se ocupa da tarefa inicial. Só depois de muito tempo, percebi que uma das primeiras lições sobre geometria e matemática que tive na vida, foram aprendidas em uma destas situações. Sim, aprendi algumas coisas enquanto carregava tijolos. E não foi que tijolos são pesados. Embora carregar tijolos pudesse parecer uma tarefa simples, foi nesse processo que comecei a perceber conceitos matemáticos importantes.

Antes de contar a história, preciso mencionar que somos quatro irmãos em uma era sem celular, com programas infantis exibidos apenas na parte da manhã. Provavelmente por isso, nossos pais procuravam nos manter ocupados, então era comum termos tarefas domésticas. Nada extraordinário, eram tarefas como: Varrer o quintal, tirar o lixo, lavar a louça e coisas assim.

Eu devia ter por volta de 8 ou 9 anos, quando meu pai comprou um carregamento de tijolos, estes foram descarregados na frente de casa. A tarefa dada a meu irmão mais velho e eu (como dito no título) foi levar todos os tijolos, da frente da casa para os fundos. Enquanto executávamos esta tarefe, tive a oportunidade de aprender muito!

Matrizes, Tabuada, Área e Mundo Bidimensional

Figura1 – Tijolos distribuídos em uma matriz de linhas e colunas, no chão

O trabalho de empilhar os tijolos, começa com eles sendo distribuídos no chão. Formando linhas e colunas, como se quiséssemos preencher uma parte do chão com os tijolos. Começamos colocando os tijolos no sentido da leitura (da direita para a esquerda), formando colunas e em seguida criando novas linhas abaixo das anteriores (de cima para baixo). Do ponto de vista lógico, isso é considerado uma Matriz. Daí veio a primeira lição: As colunas, poderiam ser a largura de uma área e as linhas o comprimento. O espaço que poderia ser utilizado pelos tijolos no chão, iria determinar como iríamos empilhá-los. À medida que organizávamos os tijolos em linhas e colunas, eu ia compreendendo o conceito de matrizes. Isso levou meu irmão a me explicar como calcular o número total de tijolos usando a tabuada e a entender a área coberta pelos tijolos.

Para contar quantos tijolos havia ali, meu irmão (Muito bom em matemática, aliás) explicou que bastava multiplicar as linhas pelas colunas. Para mim, foi a materialização da tabuada: 5 linhas contendo 3 colunas de tijolos, seriam 5×3 o que totaliza 15. A tabuada agora deixava de ser uma tabela de números que precisávamos decorar, e tornava-se uma ferramenta para descobrir algo. É com ela, que eu poderia saber quantos tijolos havia à minha frente, de uma forma simples e rápida.

Imaginando os tijolos como quadros planos no chão, entendi o conceito de área, que ouvia dos meus tios que trabalhavam na obra em casa. Ao multiplicar linhas, por colunas, eu estava obtendo a área também. Comecei a pensar em tudo que tinha medidas expressas, como foto 3×4, quadro 30×40. Inevitavelmente, imaginava estes objetos todos marcados com linhas e colunas formando uma grade de quadrados. Hoje eu diria, que percebi como se expressar em um mundo Bidimensional (2D). Em geometria, aliás, você verá letras representando cada “direção”, isso explica o X e Y que estão nas imagens.

Figura 2 – Comprimento, é o nome dado ao lado maior de algo

Apenas em caráter informativo: Quando ouvir alguém falar comprimento e largura, pode ser a mesma coisa que linhas e colunas. Linhas e colunas, são um conceito lógico, enquanto comprimento e largura são utilizados para expressar medidas. Se a divisão em linhas e colunas for a cada centímetro, ela será exatamente igual à medida expressa do comprimento e largura. Lembrando que comprimento é o nome dado ao lado maior do objeto, enquanto largura seria o menor.


Volume, Espaço e Mundo Tridimensional

Figura 3 – A pilha de tijolos passa a ter camadas, ou altura

Depois de entender a área dos tijolos dispostos no chão, a próxima etapa foi empilhar os tijolos, o que adicionou uma nova dimensão ao problema. Agora, a pilha de tijolos passou a ter altura, introduzindo o conceito de volume. Nesta nova forma da pilha de tijolos, eu não poderia mais chamar suas dimensões apenas de comprimento e largura. Ela agora, passava a ter camadas ou altura, não era mais um retângulo plano no chão. Hoje eu diria assim: a pilha de tijolos passava a ter: Comprimento, Largura e Altura. Então, ela tem três dimensões, é tridimensional (3D).

Como o número de tijolos por camada, era igual. Do ponto de vista matemático, para contá-los agora, eu precisaria multiplicar o total de uma camada, pela altura da pilha de tijolos. Pensando cada tijolo como uma unidade tridimensional, eu estava calculando o volume da pilha em tijolos. Se eu estivesse pensando em uma caixa d’água, sabendo que 1 litro de água equivale a um cubo de 10 centímetros, bastava aplicar a lógica dos tijolos, para obter o volume desta caixa d’água.


Figura 4 – Objetos 3D possuem comprimento, largura e altura ou profundidade

Compreendendo o volume dos tijolos empilhados, percebi que a estrutura tridimensional podia ser descrita usando coordenadas espaciais. Cada tijolo tinha uma posição específica no espaço, que podia ser expressa em termos das dimensões X, Y e Z. Lembrando que a contagem vai da direita para esquerda, depois de trás para frente e por ultimo de baixo para cima. Percebi também que existe um ponto inicial para a construção da pilha de tijolos (ou qualquer coisa no espaço tridimensional). Desta pilha, projetam-se linhas em cada direção (X, Y e Z). Mais tarde, eu aprenderia que cada tijolo pode ter um “endereço” no espaço. Este endereço é a distância do tijolo selecionado, ao ponto inicial neste espaço. É possível por fim, indicar a posição de qualquer tijolo com precisão, utilizando o “endereço” dado a cada um. Ex: coluna 3, linha 2, altura 5.

Tá, mas e daí?

Embora carregar tijolos possa ter sido cansativo, essa experiência revelou-se uma valiosa oportunidade de aprendizado. A partir dessa tarefa, desenvolvi habilidades em matemática e geometria que ainda aplico no meu dia a dia. Passei a ter muita facilidade na solução de problemas do mundo real e até de questões em várias provas na escola. Este hábito de observar o meio e extrair aprendizado dele, me segue até os dias atuais. Não há momento em que não seja possível contemplar o mundo e aprender algo.

Espero que depois desta leitura, você passe a enxergar de outra forma, suas tarefas diárias ou extraordinárias.

Ler é libertador

Não existem receitas prontas para a vida, mas seguir um caminho que ajudou outras pessoas, aumenta muito suas chances de acertar. Portanto, vou contar como ler foi transformador para mim e pode ser para você.

A leitura entrou em minha vida relativamente cedo e quase que por acidente. Eu tinha por volta de 5 anos e estava aflito, pois meus pais haviam dado um ultimato aos meus irmãos mais velhos para que aprendessem a ler. Assim, em casa, com o ensino do meu irmão mais velho, que fui apresentado à leitura. Quando fiquei sabendo que o ultimato não se aplicava a mim, já era “tarde”.

Comecei com histórias em quadrinhos, revistas de variedades e curiosidades. Algum tempo depois, ao fazer perguntas, era instruído a procurar respostas nas enciclopédias. Mais tarde, já estava fazendo isso por conta própria.

Lembro de eu viajar por países diversos, conhecer animais e suas particularidades, descobrir mistérios e curiosidades, aprender e por fim crescer. Logo, descobri a biblioteca da escola. Lá havia novos livros, maquetes do corpo humano, mapas e muitos materiais que não eram levados à sala de aula. Na escola, lembro de emprestar uma coletânea do Sítio do Picapau Amarelo, um fascículo que eu mal conseguia segurar.

Vivíamos em uma cidadezinha bem pequena e levado pela leitura desbravei o planeta, o universo, as estrelas e invenções incríveis, tanto para o bem quanto para o mal. O hábito da leitura abriu as portas para o mundo e me permitiu entender um pouco de tudo que me cercava, desde minha infância. Este costume, me permitiu viajar, sem sair do lugar.

Mas os benefícios do hábito de ler vão além, eles promovem transformações em nível neurológico e cognitivo. Eu soube disso antes de ver estudos a respeito, afinal, é a única explicação para alguém conhecer concordância verbal e nominal, acentuação e gramática, sem ter decorado regras gramaticais e ortográficas. E acredite, não tenho nada de especial; qualquer pessoa que leia bastante terá o benefício de assimilar inconscientemente as normas de sua língua. Isso, se o texto for escrito nestas normas.

Ok. E qual a utilidade de conhecer a “norma culta do idioma”? Ser um chato que vai ficar corrigindo as outras pessoas? Não meu caro amigo. Corrigir os outros sem ser consultado é bem deselegante, inclusive. Há outras transformações cerebrais trazidas pelo hábito de ler. Assimilar as estruturas linguísticas e estar familiarizado a elas, te ajuda na horas de aprender outras línguas.

Dominar um idioma facilita o aprendizado de novos conhecimentos e treina o cérebro a buscar padrões lógicos. Esta é a última ajuda da leitura que vou citar: Foi através da leitura que aprendi a programar. E programas, nada mais são, do que instruções escritas para computadores, em algum “idioma de máquina”. A diferença entre computadores e pessoas é que as pessoas conseguem entender uma escrita fora dos padrões formais da linguagem, enquanto computadores (em baixo nível) não. Por isso, ser um bom leitor e escritor em algum idioma, te fará um programador melhor.

Por transformar você em seu próprio professor, por permitir ampliar seus horizontes, por ampliar suas capacidades, posso garantir. Ler é libertador!

Por Que Escolhi um Polvo?

Encontrar um mascote para este blog foi uma jornada cheia de reflexões. Eu procurava algo que capturasse a essência da adaptabilidade, inteligência e curiosidade – traços que ressoam com o espírito deste espaço. Depois de muita consideração, o polvo (ordem: Octopoda) se destacou como o emblema perfeito. Essa criatura enigmática e fascinante possui habilidades que parecem saídas de um conto de super-heróis: versátil, engenhoso, e capaz de se adaptar a qualquer situação. Neste blog, exploramos 8 dessas habilidades extraordinárias que fazem do polvo um verdadeiro símbolo de resiliência e inovação.

1 – Inteligência acima da média

Homem de ferro | Marvel Studios

Quando pensamos em inteligência no reino animal, poucas criaturas se comparam ao polvo. Sua capacidade cognitiva é notável, começando pela estrutura de seu cérebro, que não apenas possui bulbos nervosos torcidos como os nossos, mas também se distribui pelos tentáculos, permitindo uma forma de “inteligência descentralizada”. Em cada um de seus tentáculos, os polvos possuem neurônios especializados, um tipo único de célula que só existe na família dos cefalópodes.

Essa distribuição neural lhes confere a capacidade de processar informações de forma simultânea em diferentes partes do corpo, algo que em humanos seria o equivalente a ter múltiplos cérebros funcionando em paralelo. Além disso, assim como nós, humanos, eles têm áreas cerebrais dedicadas à memória e aprendizado. Polvos conseguem armazenar memórias em duas regiões distintas de seu cérebro, o que lhes permite aprender com experiências passadas e adaptar seu comportamento de maneira surpreendente. Em cativeiro, essa inteligência se manifesta claramente, seja na forma como resolvem quebra-cabeças complexos ou em sua habilidade em manusear objetos, o que veremos a seguir.

2 – Corpo elástico

Sr Fantastico | 20th Century Fox

Os polvos são mestres da adaptação, graças à sua incrível elasticidade corporal. Seus corpos são quase completamente desprovidos de partes rígidas, o que lhes permite comprimir-se e contorcer-se em formas e tamanhos aparentemente impossíveis. Essa habilidade lhes dá a capacidade de se espremer em fendas minúsculas entre rochas, esconder-se em locais improváveis, ou até mesmo escapar de predadores maiores e mais fortes.

Essa maleabilidade extrema, no entanto, vem com um custo. A constituição flexível dos polvos, que lhes dá tanta liberdade de movimento, também os torna vulneráveis. Sem uma estrutura óssea protetora, eles estão constantemente sob risco de predadores. Isso os obriga a permanecer em alerta máximo, adotando estratégias defensivas e de fuga com frequência. Essa combinação de fragilidade e astúcia levou ao desenvolvimento de comportamentos de sobrevivência sofisticados, onde a flexibilidade física se alia a uma mente ágil e adaptável.

A seleção natural provavelmente desempenhou um papel crucial aqui. Ao longo das gerações, os polvos mais inteligentes e escorregadios foram aqueles que sobreviveram, transmitindo essas características para seus descendentes. Essa capacidade de escapar de situações perigosas e se adaptar rapidamente ao ambiente pode ser uma das razões pelas quais os polvos são considerados entre as criaturas mais inteligentes do oceano.

3 – Uso de ferramentas

Rocket Raccoon | Marvel Studios

Estes cefalópodes possuem uma habilidade extraordinária que os distingue da maioria dos animais: o uso de ferramentas. Na natureza, esses cefalópodes frequentemente utilizam conchas, pedras e até mesmo cascas de outros moluscos como escudos, construindo abrigos improvisados para se protegerem de predadores. No ambiente selvagem, esse comportamento é um testemunho de sua engenhosidade e capacidade de adaptação.

Quando em cativeiro, os polvos demonstram ainda mais claramente sua curiosidade insaciável e inteligência prática. Eles não só identificam e lembram de objetos e pessoas, mas também exploram o ambiente ao seu redor com um interesse quase científico. Relatos de polvos abrindo tampas de frascos, escapando de aquários e até desmontando componentes de sistemas hidráulicos são comuns. Essa tendência para investigar e manipular objetos reflete uma capacidade de aprendizagem e memória que rivaliza com a de muitos mamíferos.

Da maneira, os polvos são capazes de modificar e manipular seu ambiente, utilizando ferramentas com uma destreza impressionante. Essa combinação de curiosidade, inteligência e habilidade prática faz dos polvos verdadeiros “engenheiros” do oceano, capazes de adaptar suas estratégias para sobreviver em condições desafiadoras.

4 – Camuflagem e Mimetismo

Mística | Marvel Studios

Com corpos vulneráveis e sem defesas naturais robustas, os polvos tiveram que desenvolver estratégias engenhosas para sobreviver em um oceano cheio de predadores. Uma das mais impressionantes é a habilidade de camuflagem e mimetismo, onde esses mestres do disfarce utilizam seu corpo como uma tela viva, alterando a cor, o padrão e até a textura de sua pele para se misturar perfeitamente ao ambiente.

Estas fantásticas criaturas podem ajustar sua coloração em tempo real, adaptando-se instantaneamente ao fundo marinho ou às condições de luz ao seu redor. Não satisfeitos apenas com a mudança de cor, eles também conseguem alterar a textura de sua pele, transformando-a para simular superfícies como areia, rochas, corais ou até mesmo espinhos. Essa capacidade de imitar diferentes materiais não só os ajuda a se esconder, mas também a confundir predadores, fazendo-os parecer algo que não são.

Essa forma de camuflagem vai além da simples proteção; ela é uma manifestação de uma adaptação evolucionária extremamente sofisticada. Os polvos podem até usar esse poder de forma ativa em situações de defesa. Por exemplo, ao se sentirem ameaçados, podem adotar padrões de cores vibrantes e contrastantes para assustar predadores ou mesmo para sinalizar perigo a outras criaturas. Essa combinação de camuflagem e mimetismo coloca os polvos entre os mais furtivos e engenhosos habitantes do oceano, capazes de desaparecer à vista de todos.

5 – Regeneração

Deadpool | Marvel Studios

Quando todas as estratégias de fuga, camuflagem e defesa falham e um predador consegue morder um pedaço de um polvo, não há motivo para desespero. Estes fascinantes cefalópodes possuem uma habilidade extraordinária de regeneração. Eles não apenas recuperam seus tentáculos perdidos, mas também têm a capacidade de regenerar tecidos danificados, incluindo células nervosas e neurônios.

A regeneração dos polvos é uma das mais avançadas entre os invertebrados. Não é incomum ver um polvo arrancando deliberadamente um de seus próprios tentáculos em situações de extremo estresse ou ataque, sabendo que ele pode crescer de volta com o tempo. Estudos mostram que logo após a morte do polvo, ou assim que um tentáculo é removido, o membro pode continuar a se mover de maneira coordenada por algum tempo, um fenômeno que sugere um nível intrigante de memória residual nos membros. Esta capacidade de regeneração e o comportamento associado demonstram um sistema nervoso complexo e adaptável, permitindo aos polvos uma forma de recuperação que é realmente notável.

Estas criaturas, utilizam sua incrível capacidade de regeneração para garantir sua sobrevivência e adaptação em um mundo subaquático repleto de desafios e perigos.

6 – Força

Hulk | Warner Studios

Apesar de sua aparência aparentemente frágil e corpo flexível, os polvos possuem uma força surpreendente que desafia as expectativas. Embora seus corpos sejam compostos de uma mistura de tecidos macios e músculos, eles são equipados com uma estrutura altamente eficiente e potente que lhes confere uma força impressionante.

Os polvos possuem oito tentáculos, cada um coberto por centenas de ventosas. Essas ventosas são incrivelmente fortes e versáteis, permitindo que o polvo exerça uma pressão significativa ao agarrar e manipular objetos. A força dos tentáculos é tão intensa que um polvo pode abrir conchas duras de moluscos, como mexilhões e ostras, para se alimentar. Este processo exige não apenas força bruta, mas também uma habilidade precisa para aplicar pressão exatamente no ponto correto, demonstrando a combinação de força e destreza dos polvos.

Além disso, a musculatura dos tentáculos é dotada de um tipo especial de músculo que permite contrações poderosas e precisas. Esses músculos podem se contrair e expandir com grande força, o que permite ao polvo puxar, segurar e manusear objetos com grande eficácia. Em situações de defesa, polvos podem usar seus tentáculos para lutar contra predadores ou até mesmo para escapar de ameaças.

7 – Visão Multifocal

Hawkeye | Marvel Studios

Os polvos possuem uma das visões mais sofisticadas do reino animal, adaptada perfeitamente ao seu ambiente subaquático. Seus olhos são dotados de uma capacidade única de perceber a luz e o movimento em diferentes ângulos simultaneamente, o que lhes permite detectar até os menores sinais de movimento ao seu redor. Esta habilidade é crucial para a sobrevivência, pois ajuda os polvos a localizar presas e identificar predadores, mesmo em águas turvas e pouco iluminadas.

Cada olho do polvo possui uma estrutura complexa que permite a percepção de diferentes comprimentos de onda da luz, o que lhes dá uma vantagem significativa em termos de visão noturna e contrastes. Além disso, os polvos podem ajustar a forma e a posição de seus olhos para criar uma visão panorâmica quase completa, cobrindo praticamente todo o campo de visão sem a necessidade de mover a cabeça. Essa capacidade de visão multifocal é uma adaptação que garante que nada escape ao seu olhar atento.

A eficiência da visão dos polvos também se reflete em sua habilidade para mudar a cor e o padrão de sua pele com precisão, uma técnica que requer uma percepção visual aguçada para coincidir perfeitamente com o ambiente. Essa combinação de visão detalhada e controle de camuflagem demonstra como os polvos são equipados para ser mestres da observação e da adaptação no ambiente marinho, utilizando seus olhos incrivelmente desenvolvidos para maximizar suas chances de sobrevivência e sucesso no oceano.

8 – Escapismo

Homem Formiga | Marvel Studios

Os polvos são mestres incontestáveis do escapismo, uma habilidade que impressiona tanto biólogos quanto entusiastas da vida marinha. Graças à sua anatomia única, esses cefalópodes conseguem se contorcer e comprimir seus corpos de maneiras que parecem desafiar as leis da física. Com exceção do bico duro, localizado no centro de seus tentáculos, o corpo do polvo é extremamente flexível, permitindo que ele se esprema por fendas incrivelmente estreitas ou escape de recipientes aparentemente intransponíveis.

Essa capacidade de escapismo não é apenas uma curiosidade; é uma habilidade de sobrevivência vital. Em cativeiro, há inúmeros relatos de polvos que fugiram de seus aquários, aproveitando pequenas aberturas ou empurrando tampas com suas poderosas ventosas. Na natureza, essa destreza lhes permite escapar de predadores ou se esconder em buracos e rachaduras onde poucos outros animais poderiam entrar. Essa habilidade de contorcer o corpo e escapar rapidamente de ameaças é uma demonstração clara da inteligência adaptativa do polvo, que usa seu conhecimento do ambiente e sua flexibilidade para se manter seguro.

O escapismo dos polvos também está associado à sua capacidade de camuflagem e mimetismo, tornando-se quase invisíveis para seus predadores e aumentando suas chances de escapar. Se confrontados, os polvos podem soltar um jato de tinta para confundir e desorientar seus atacantes, ganhando tempo para encontrar uma rota de fuga. Essa combinação de habilidades físicas e comportamentais faz dos polvos verdadeiros artistas da fuga, capazes de se evadir de situações perigosas com uma agilidade e engenhosidade impressionantes.

Surpreendido? Tem Mais!

Se você ainda está curioso, aqui vai uma questão interessante: ao contrário das estrelas-do-mar, que podem regenerar um novo corpo a partir de um membro perdido, um tentáculo removido de um polvo não gera outro ser completo.

E, para encerrar com mais uma curiosidade fascinante: o sangue dos polvos é azul, graças à hemocianina, uma proteína à base de cobre, enquanto o nosso é vermelho, pois é baseado em ferro.

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